No Parque Nacional Queen Elizabeth, em Uganda, um resistente leão de um olho só e três patas chamado Jacob está desafiando expectativas e superando as duras regras da savana. Esse menino de 11 anos já sofreu ferimentos devastadores que condenariam a maioria dos leões. Em 2020, uma armadilha de caçador furtivo cortou sua pata traseira esquerda. Logo depois, um ataque de búfalo do Cabo o deixou cego de um olho. Normalmente, tais limitações — perda de velocidade, potência e visão total — levam à fome de um leão macho adulto, que depende de corridas explosivas (até 50 mph ou 80 km/h em rajadas) para dominar presas grandes como javalis, pesando até 440 libras (200 kg). Ainda assim, Jacob se adaptou brilhantemente, reescrevendo seu manual de caça. Imagens de drones térmicos capturadas por pesquisadores do Kyambura Lion Monitoring Project mostram ele empregando táticas mais parecidas com as de um leopardo do que com um caçador tradicional de leões. Ele se esconde na vegetação densa, avança de perto e lança emboscadas súbitas e poderosas em vez de se envolver em perseguições prolongadas que não consegue mais sustentar. Ele até foi visto escavando presas de tocas, mirando em espécies mais lentas e confiáveis para garantir as refeições de forma eficiente. O cientista da conservação Alexander Braczkowski observa que Jacob alterou fundamentalmente sua dieta e abordagem. Ao contrário da maioria dos leões "tripé" gravemente feridos, que dependem fortemente do apoio do grupo para abates de grandes animais, Jacob frequentemente caça sozinho ou ao lado de seu irmão Tibu, demonstrando independência e engenhosidade notáveis. Sua história vai além da habilidade de caça: ele continua defendendo seu território e já nadou famosamente pelo Canal Kazinga, repleto de crocodilos e hipopótamos — que se estende por cerca de uma milha (1,6 km) — em um feito considerado um dos mais longos registrados pela espécie. À medida que leões por toda a África Oriental enfrentam habitats em declínio, caça ilegal e pressões climáticas, a adaptabilidade comportamental de Jacob destaca um fator-chave para a sobrevivência. Pesquisadores continuam a monitorá-lo de perto, inspirados por como a determinação de um animal pode informar estratégias de conservação mais amplas em um mundo em transformação.